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UM PAR DE BOTAS

UM PAR DE BOTAS

TRILHO DE ABOIM (Fafe)

Regresso às origens
 
 
E foi num dia de sol que se percorreu “mais uma vez” um dos mais bucólicos trilhos de pequena rota fora de portas do Gerês.
Os pastos tingidos de verde vivo cercados de muros e pequenas arribas de pedra, conquistados pelo musgo. Florestas de carvalhos matizados de castanhos e verdes descolorados invadidos de líquenes. Caminhos de estradão que percorrem campos e montes com paisagens de perder de vista até ao Gerês.
 
Foi no meio deste cenário que vários amigos seguiram os percursos de infância da nossa querida amiga Nogueira, no seu regresso às origens. E deu para perceber de onde vem aquela faceta tão característica dela. A sua simplicidade, o seu sorriso franco, de conversa fácil e dócil. Afinal encontrei ali a prova, naquela beleza natural tão simples. Naquele silêncio de doer nos ouvidos. Naquele ambiente odorífico de limpar os pulmões.
Mas enfim, ela não iria gostar que eu me adiantasse na descrição, nem tão pouco faça dela a estrela deste texto. Mas é difícil resistir, com tão peculiar amiga e tendo ela sido afinal a anfitriã e guia caminheira neste dia.
 
Eram cerca das onze da manhã quando vinte e nove caminheiros começaram o trilho “À descoberta de Aboim”. O dia já aquecia e o sol já ai alto quando nós percorremos algumas das aldeias limítrofes à freguesia de Aboim.
Batiam para lá das 12h30 quando nos dispusemos a parar no alto de um penedo com vista para a … aldeia natal da Nogueira – Barbeita.
As vistas eram soberbas, com a barragem do Ermal, os cumes dos telhados de Vieira do Minho, as torres e o castelo de Póvoa de Lanhoso e mais ao fundinho, os picos do Gerês.
Pela tarde, além da passagem pela aldeia de Barbeira, atravessámos as aldeias em fase de recuperação de Figueiró e Mós, todas elas pertença da freguesia de Aboim.
 
Ao fim de mais de cinco horas e meia após termos arrancado e com cerca de 15 quilómetros nos pés, voltámos ao ponto de partida, desta feita já com vontade de parar numa cadeira e se possível com vista para a lareira.
Como ao pôr-do-sol dizem que todos os sonhos podem ser realizados, assim tentámos fazer jus do axioma quando assentámos para o repasto, no dito restaurante.
 
E foi ao final do dia que no regresso a casa me recordei do poeta que agora lembramos e que também ele guarda memórias antigas da sua infância, traduzidas em folhas de papel escritas de poesia.
 
“A vida é feita de nadas
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;
 
De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;
 
De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu pai erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha”
 
Miguel Torga
S. Marinho de Anta, 30 de Abril de 1937
 
 
 
 
 
Caminheiros participantes:
Nogueira, Peneda, Pedrinhas, Mato, Tempestade, Pescador, Castanha, Riacho, Truta, Pé Grande, Flor, Beija-Flor, Bouça. Almocreve, Côxo, Sherpa, Sherpa-Llamu, Arga, Radical, Sequoia, Amora Silvestre, Mamute, Galego, Figueiró, Aboim, Mós, Ria, Carqueja, Urze.
 
 
 
Bem Hajam,
 
 
 
Tempestade
publicado às 09:40

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