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UM PAR DE BOTAS

UM PAR DE BOTAS

JBEL TOUBKAL

A nossa aventura em Marrocos começou em Marrakech a regatear com o motorista do táxi. Conseguimos um preço de 500 dihrams até Imlil e outros tantos na volta. Em Imlil queriam 1000 dihrams.

Chegamos ao refúgio de IMLIL (1760 m) ao meio da tarde, fomos almoçar. Andamos a ver a pequena aldeia berbere, a regatear com os muleiros para o dia seguinte e fizemos algumas compras. De vários que tentamos um pedia um preço muito mais baixo que os restantes, aceitamos, claro! O pior é que não apareceu no dia seguinte, enfim!

Fomos às compras, principalmente água e fruta. Conseguimos entregar o material escolar na escola e seguimos para o jantar. No fim ainda jogamos umas cartas…que só iriam terminar no último dia da nossa “estadia” em Marrocos. O dia seguinte iria ser o inicio da nossa “marcha”, trekking até ao refúgio do TOUBKAL a 3200m.

Acordamos por volta das 4h30 da manhã, hora marroquina. Arrumamos as tralhas, tomamos o pequeno almoço e ficamos a espera do muleiro e das duas mulas, mas não apareceram. Tivemos que arranjar outro, e fazer novo regateamento. Teve que ser.

Começou a nosso trekking,. 4h7minutos foi quanto demorou a nossa subida. Desde o refúgio de Imlil até ao refúgio do Toubkal (Neltner). Um desnível de cerca de 1500m. Este trilho tem a particulariedade de ser sempre a subir e de se encontrar dois pequenos povoados antes de chegarmos ao refúgio. Chegamos ao refúgio do Toubkal sem grande esforço, apesar das elevadas temperaturas para caminhar (35 graus).

Uma nota: entre a altitude dos 2700m e os 2900m sempre que parava para beber água e retomava a caminhar sentia umas pequenas tonturas, mas passavam rapidamente.

O refúgio do Toubkal é grande e com muitas e melhores condições que o de Imlil. Até os preços para quem tinha cartão de montanheiro ficou mais barato. As camaratas eram razoáveis e as casas de banho tinham água quente. Até uma sala de estar confortável tínhamos a nosso bel prazer. Tiramos umas dúvidas com um espanhol que começava a descida para Imlil e deu-nos umas dicas sobre a subida e descida ao Toubkal. Toda a informação era útil.

Almoçamos, descansamos, e alguns caminheiros sedentos de montanhas ainda foram subir um 4000. Chegaram ao fim da tarde. Jantamos e fomos dormir, já que o dia seguinte era o dia do nosso objectivo no Alto Atlas: JBEL TOUBKAL – 4167 m).

Acordamos por volta das 4h da madrugada do dia 3 de Julho de 2007, o grande dia para este Clube de Praticantes de Montanhismo UM PAR DE BOTAS. Apesar de mais uma noite mal dormida (falo por mim), tomamos o pequeno almoço, preparamos as mochilas e começamos a subir, a subir, a subir, a subir, dos 3200m até aos 4167 m. Não achei um trilho muito exigente. As vias de acesso eram acessíveis, apenas na parte final optamos por uma que exigia um pouco mais. Chegamos ao topo do Toubkal por volta das 8h da manha. Foi um momento já muito esperado (desde Setembro de 2006). Muitas caminhadas tivemos que superar para chegarmos a este momento, mas valeu a pena.

Cinco caminheiros do UM PAR DE BOTAS subiram o ponto mais alto do norte de África, nas montanhas do Alto Atlas, o JBEL TOUBKAL com a altitude máxima de 4167 metros. A imagem do cimo do Toubkal era soberba.

Tiramos muitas fotos, reabastecemos as forças com alguma comida que levamos para cima (frutos secos), e começamos a preparar a longa descida. Estivemos no topo cerca de uma hora. Presumo que foi pior a descida que a subida. Era ingrime, e com muito cascalho. Presumo que todos escorregamos várias vezes, mas nada de especial, apenas alguns arranhões. Tínhamos que descer com muito cuidado esse era o nosso lema. Um pé de cada vez…e firme! Chegamos ao refúgio com 2h de descida. É verdade que tiramos muitas mais fotos que na subida, é lógico. Estávamos a descer…e já a pensar numa outra caminhada na parte da tarde. Ir para o refúgio de Tazaghart (Lipney). Duas caminhadas num só dia, e depois de termos subida aos 4167m queria alguma ponderação, já que para irmos para Tazaghart teríamos que subir aos 3600m. Almoçamos regateamos com o único muleiro que lá estava e chegamos é um acordo. Apenas uma mula era o que teríamos disponível. Teve que ser. Arrumamos as tralhas e começamos a subir, dos 3200m até aos 3600m, depois era (quase) sempre a descer prós 3000m, local onde estava o refúgio. Parte desta descida é idêntica à do Tresviso nos Picos da Europa, em zig-zag.

Se há trilho que vale bem a pena repetir é este. É muito bonito, acessível e com mais cor. É um excelente trilho. Pena que seja pouco conhecido. É bem mais interessante que a subida ao Toubkal. Só a subida na parte final é que nos deixou um pouco cansados, mas nada de especial. Este refúgio muito pequeno com muito poucas condições, mas deu para passar uma noite, a última em montanha. Mesmo ao lado do refúgio estava uma enorme e bonita cascata. Alguns dos caminheiros foram lá tomar banho. Era o único sítio possível! Umas das imagens que nos marcou deste refúgio foi vermos Marrakech à noite. Um clarão no meio do imenso escuro.

No dia seguinte acordamos por volta das 6h da manhã, a rotina foi a mesma dos dias anteriores. Começamos com o pensamento em Imil e Marrakech, mas cedo deixamos essa imagem, já que (também) este trilho é muito bonito. Com mais cor que o anterior. Este trilho começa com uma enorme descida por duas colunas de montanhas e com várias quedas de água. Soberbo!

Chegamos a Imlil por volta das 11h30. Aí compramos e comemos uma enorme melancia enquanto esperávamos pelo táxi que vinha de Marrakche. Mr Errouk era o nome do taxista. Um grande homem.

Ao chegarmos a Marrakech fomos assaltados. Começamos bem, tss! Roubaram a máquina fotográfica ao Águia Real. Telefonamos ao taxista para nos ajudar e assim aconteceu, conseguiu encontrar o ladrão da máquina. Foi uma alivio.

Instalamo-nos numa Riad na zona antiga da cidade, bem perto duma souk, e fomos almoçar, já eram 16h.

Daqui para a frente foi só andar a pé. Nada de novo. Fomos para a Medina (um circuito de cerca de 10km) Djemaa el Fna. Muito confusa, barulhenta e movimentada. Quando lá chegamos senti um choque, não contava com tamanha “confusão”. Depois de 3 dias nas montanhas e descer para uma cidade como Marrakech há de certeza um choque…civilizacional!

 

Notas: comemos várias tanjines; bebemos muito chá de menta (“uísque marrocá”), comemos o pão típico de Marrocos, fomos visitar o museu Palais el-Badi, visitamos as Cascatas d’Ouzoud (esta cascata tem 3 níveis), passamos por baixo de uma ponte natural e jogamos muito às cartas.

Foram vários dias que passamos em Marrocos e valeram bem a pena.

 

Foi uma nova experiência do CLUBE de Praticantes de Montanhismo UM PAR DE BOTAS. Espero que seja mais um pequeno passo para o passo seguinte.

 

Aos caminheiros participantes: de certeza que gostaram, e cada um de nós guardou uma experiência única, e que cada um contará à sua maneira. Obrigado a todos!

 


águia real, tempestade, lama, alpes e medronho


 


 


 

publicado às 08:46

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