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UM PAR DE BOTAS

UM PAR DE BOTAS

MIGUEL TORGA

"Sou, na verdade, um geófago insaciável, necessitado diariamente de alguns quilómetros de nutrição.

Devoro planícies como se engolisse bolachas de água e sal, e atiro-me às serranias como à broa de infância. É fisiológico, isto.

Comer terra é uma prática velha do homem. Antes que ela o mastigue, vai-a mastigando ele. O mal, no meu caso particular, é que exagero. Empanturro-me de horizontes, e quase que me sinto depois uma província suplementar de Portugal".


Miguel Torga

Gerês, 17 de Agosto de 1958



 

E assim termina a homenagem do UM PAR DE BOTAS a Miguel Torga. Espero que tenham gostado.


 

publicado às 09:09

MIGUEL TORGA

Gerês, 8 de Agosto de 1955


"Estas serras portuguesas são nossas até na pequenez. Como nunca sobem mais acima do que as possibilidades de certas raízes teimosas, a vida tem sempre nelas uma espécie de calma remediada. Falta-lhes aquela zona de esterilidade altiva, onde a morte se coroa de flores de neve. Nesses cumes alpinos que a natureza ofereceu a outros povos, apenas as sementes metafísicas da inquietação podem germinar. E o vento do espírito tenta afanosamente semeá-las, a golpes de imaginação e ascese.
O que é de todo desnecessário aqui, uma vez que para além do limite vegetativo já não existe qualquer maninha extensão".


Miguel Torga
in: Diário VII
publicado às 09:04

MIGUEL TORGA

Gerês, 15 de Agosto de 1942

Aegri surgunt sani

Este latim é pau para toda a colher.




Gerês, banco do Ramalho, 17 de Agosto de 1942

Deste monstruoso sofá em que a posteridade transformou uma singela pedra onde o bom do Ramalho costumava sentar-se, e com um som melancólico a cair ao longe sobre o Cávado, penso na crueldade do destino para com certos homens e certos países.




Miguel Torga
in Diário II
publicado às 07:50

MIGUEL TORGA

Gerêz, 26 de Agosto de 1942


Condenação


Toda a manhã o lírico pagão,
O animal sensível que em mim olha,
Olhou, olhou, cheio de comoção,
Uma folha.

Era de tília a mágica verdura.
Larga, quieta, ao sol, vivia.
E a viver assim dava frescura
A quem da terra seca lha pedia.

Nisto, não sei que maldição soprou,
Ou que Deus demoníaco sorriu,
Que toda aquela calma se agitou
E caiu.


Miguel Torga
in: Diário II
publicado às 07:31

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